Aulas on-line, reuniões por videoconferência, bate-papos virtuais. Tudo isso já existia há algum tempo e era de conhecimento de uma parcela da população. Mas em nenhum outro momento essas formais virtuais de comunicação foram tão utilizadas como agora. Enquanto o mundo para por conta da disseminação de um vírus, esse mesmo mundo vive um processo de aceleração em paralelo: o do contato das pessoas com as novas tecnologias. Quem conseguir acompanhar esse processo de transformação, vai se destacar num futuro que, agora, está cada vez mais próximo.

“Vai existir um mundo antes e um pós-Covid-19”, defende o professor Alexandre Amaral, físico, especialista em robótica educacional e diretor da escola Robô Ciência. Ele explica que todos os outros grandes eventos da humanidade, como as duas grandes guerras, por exemplo, trouxeram avanços no aspecto tecnológico. No caso da Covid-19, não seria diferente. “A pandemia fez com que as pessoas parassem, deixassem de sair de casa, de ter uma vida normal, ao passo em que tiveram que se reinventar. Elas reaprenderam a ter uma rotina usando ferramentas digitais para fazer aulas, interagir, trabalhar em home office. Não podemos desconsiderar o lado negativo da doença, com as mortes, a desaceleração da economia, a questão humanitária, mas essa aceleração tecnológica é uma realidade em paralelo”, observou.

Mas quem leva vantagem nesse mundo que deve ser diferente quando tudo isso passar? Os jovens, as crianças e os adultos que já viviam essa imersão no mundo na tecnologia, saem na frente. Eles têm mais facilidade de utilizar esse conhecimento a seu favor para desenvolver habilidades e competências. O professor acredita que quem vivencia esse mundo digital está sempre buscando algo novo, que lhe desperta o interesse, com consequências positivas para o aprendizado. É nesse contexto que entra o ensino da Robótica, como porta de entrada para esse caminho.

Habilidade na resolução de problemas

Reprodução: Freepik

“A robótica educacional funciona como uma ferramenta pedagógica trazendo crianças e adolescentes para uma realidade mais concreta. Na hora que a gente consegue trazer para uma criança algo que ela consegue montar, colocar a mão na massa, ela produziu, ela criou, ela foi protagonista. A robótica consegue trazer fenômenos do cotidiano de maneira prática e lúdica e isso é inovação”, concluiu. Segundo Alexandre Amaral, uma das grandes vantagens desse tipo de ensino é o trabalho em equipe. “Aprender a trabalhar em grupo é muito importante porque isso estimula a liderança. Quando a gente lança uma situação problema num trabalho colaborativo, a gente percebe quem se dispõe a liderar esse processo. A resolução de problemas é uma das habilidades que o profissional do futuro precisará ter”, afirmou.

A preparação intelectual para resolução de conflitos, uma maior flexibilização para se adaptar a situações diversas e a vontade de aprender mais serão algumas habilidades necessárias para esse profissional do futuro, que vai precisar competir cada vez mais por espaço num mundo onde a inteligência artificial vai aparecer como uma opção viável e concreta. “Aquele profissional que não estiver preparado, que não tiver uma boa formação, que não desenvolver habilidades e competência e que não tiver uma boa inteligência emocional, vai sair do mercado. É preciso desenvolver isso desde já e chegar nos próximos anos preparado para enfrentar esse grande desafio”, aconselhou Alexandre Amaral.

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