Robô é usado como ferramenta para tratar o autismo

//Robô é usado como ferramenta para tratar o autismo

Em Natal, a escola Robô Ciência utiliza a tecnologia do robô NAO em sala de aula
Quando se fala na tecnologia de robôs, logo imaginamos contextos voltados para a inteligência virtual, automatização de procedimentos e até mesmo brinquedos. No entanto, além disso, a robótica também pode melhorar a interação de pessoas com autismo, proporcionando a elas mais qualidade de vida. Nesse contexto, insere-se a tecnologia do robô francês NAO, humanoide que é utilizado, em Natal, pela escola de robótica educacional Robô Ciência, tanto no contexto do aprendizado em ciência quanto para estratégias de socialização para crianças e adolescentes que se enquadram no Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O robô NAO tem 57 centímetros de altura e é composto por duas câmeras, quatro microfones, dois alto-falantes e sensores espalhados pelo corpo revestido de material plástico. Considerado “o humanoide prodígio da robótica educacional”, é um dos robôs mais avançados, capaz de reconhecer comandos de voz, gestos e toques. Ele é utilizado em pesquisas por várias universidades do mundo, principalmente no campo educacional. A Robô Ciência utiliza o NAO como ferramenta pedagógica para o ensino da programação, matemática, física, língua inglesa, literatura, entre outras disciplinas.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), há mais de 2 milhões de autistas no Brasil e 70 milhões no mundo. Para a psicopedagoga e pesquisadora na área de robótica Carla Lúcio Alves, a eficiência do tratamento dá-se com a possibilidade que a criança enxerga de “confiar” no robô, já que pessoas com TEA apresentam melhor interação quando desenvolvem confiança em alguém. “Os robôs compostos de inteligência artificial e estrutura global semelhante a dos humanos não ridicularizam o jeito de ser de ninguém, não julgam, não criticam e fazem aquilo que os demais brinquedos não fazem. Talvez assim fique fácil confiar que esse ‘amigo’ lhe entende”, explica a especialista.
Ela acrescenta que a ludicidade e a objetividade de brincar com o robô devem estar associadas ao trabalho de elaboração e montagem desses instrumentos, já que dessa forma a criança com autismo poderá desenvolver habilidades psicomotoras. No entanto, ela adverte que é interessante que existam mediadores nessa relação, e outras crianças e adolescentes da mesma idade, pois com todas as vantagens que o robô traz, deve existir o cuidado para que o indivíduo não se isole. “Para isso, é importante aderir a estratégias de trabalho da sociabilidade, por exemplo, brincadeiras que envolvam o robô e mais de uma criança, considerando integrar aquelas que têm os mesmos desejos”, conclui.
Para Alexandre Amaral, físico e professor da Robô Ciência, o resultado é perceptível no dia a dia da escola, à medida em que, ao interagirem com o Robô, crianças e adolescentes com TEA começam a se relacionar mais efetivamente com colegas e professores, passando até a executar gestos e atividades não costumeiras, como sorrir e a dançar. “É inenarrável a emoção de uma criança ou adolescente ao ver o NAO recitar um poema, explicar as leis de Newton, jogar bola, ou até mesmo ler um texto em outro idioma”, finaliza.

By |2018-10-24T12:14:24+00:00setembro 30, 2018|